domingo, 21 de outubro de 2012

Texto da aluna Meryellen que deveria ter seguido para a Olimpíada de Língua Portuguesa


Do Distrito para a Cidade
            Final de semana. Sábado tranquilo, mas o domingo:  - “toca para mim!” – “Chuta, cara!” – “É falta!” – “Juiz!” – “Goooool”. Geralmente, são essas palavras que se escutam perto do campinho onde morava, um lugar muito divertido e conhecido como o canto da “fofoca”. Não me perguntem a origem desse nome, pois não sei explicar, no entanto sei que lá é o melhor lugar para sentar e conversar com os amigos e quando a noite chega, especialmente, se ela vem acompanhada de luz própria cujo brilho estende-se, principalmente, aos raros casais que sabem saborear, ver e sentir esse conjunto de sensações e, em seguida,  compará-lo a uma bela sinfonia, tudo se metamorfisa.
            Somente as almas, que tiveram sorte de não receberem a marca da cultura pós-moderna com toda força representada do virtual, do global, do tecnológico e do cibernético, podem compreender e viver a poesia desse lugar.
            As ações aqui contrastam com nome de batismo: campo da fofoca, mas, se há, ela se realiza a partir do conceito dos antigos que nominavam de jogar conversa fora. Esse é mais um ingrediente que se soma aos demais para completar a beleza desse lugar. Se no final de semana era assim, durante a semana era sempre bom ler um livro por lá e sentir o vento nos cabelos e um belo ar puro. Não posso esquecer que, ao lado do campinho, há uma árvore bem grande, ela faz uma maravilhosa sombra e era ótima para uma roda de estudo com os amigos. Tinha duas amigas: Ana e Natália, éramos vizinhas e morávamos na ladeira principal que dá acesso ao querido campo da fofoca. Para não deixá-lo mais curioso, quero lhe dizer que esse lugar onde está esse campinho chama-se Japecanga, distrito de São José no Estado do Rio Grande do Norte.
            Num dia de chuva, recebi a notícia de minha mãe que disse:
            - Filha, vamos mudar para uma cidade. Então pensei: vamos sair do distrito para a cidade, vamos globalizar, vamos virtualizar, vamos cibernetizar... Era esse mesmo o pensamento da minha mãe, devíamos possuir a marca da cultura pós-moderna, também nominada de competência e muitas outras exigidas pelo mercado atual. Meu campinho em Japecanga passaria agora a ser o que disse o poeta mudando o lugar: “meu campinho agora é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói”!
            A cidade na qual vim morar trouxe o que os olhos de minha mãe enxergam: autonomia e essa traz para mim uma liberdade, diferente daquela que meu campinho da fofoca me dava.
             No meu primeiro dia de aula, meu coração batia acelerado, minhas mãos suavam, mas toda essa emoção não impediu de estar sentada logo na primeira carteira da terceira fila. Minhas colegas ao lado me olhavam e eu sentia-me estranha, era como se não pertencesse àquele lugar. Mas tudo mudou quando ela disse:
            -Oi! Então respondi:
            -Oi!
            Quando falei que era de Japecanga, ouvi risos... Porém, nada perturbava a felicidade daquele momento. Era um professor indo, outro vindo, sala de informática, aulas com datashow, biblioteca. Cada professor parecia sair de um Conto de Fada, pois todos preenchiam tanto meu coração quanto meu cérebro. Então, pensei quanto meu campinho de fofoca me ensinou também, pois, se estou hoje, escrevendo esse texto meio lá e meio cá, foi porque ele existiu e transformou minha vida como Parnamirim também minha cidade agora. Logo fiquei sabendo que essa cidade tem um ponto turístico apreciado pelos visitantes. Conhecido como o maior cajueiro do mundo, há também uma fábrica de botões: Bonor. Essa cidade possui muitas praias bonitas e acolhe pessoas diariamente já que ela fica perto de uma grande cidade.
            Quando minha professora falou da proposta desse texto, fiquei feliz, pois só assim poderia materializar minhas experiências por meio de palavras. Unir duas pontas _ O lá e o Cá; o passado e o futuro; o distrito e a cidade.
ALUNA:  MERYELLEN DA SILVA DE OLIVEIRA – 9º B

Nenhum comentário: